quarta-feira, 5 de junho de 2013

Literariamente sensual

- Florbela Espanca, saca? 
- Prefiro Lorca.
- Federico Garcia? 
- Prefiro você.
- Eu? 
- É.
- Como? 
- De preferência Caio Fernando Abreu.
- Onde?
- Debaixo do meu cobertor, agarrado ao meu abraço até a eternidade ruir. 

Não some nunca mais.

- Esse bilhete cor de rosa chá foi você quem deixou?
- Não, eu vim lhe convidar.
- Pra quê e por que?
- Pra continuar, embarco nessa semana.
- Não sei se quero continuar.
- Vou lhe explicar o por que do convite em cima da hora, ainda que é hora.
- Só não resmungue como antes, pois eu fecho a porta e tranco janelas.
- É que o passado está rondando o barco e não posso deixa--lo entrar, ou melhor, invadir, ele quer tomar o seu lugar, mas já elucidei que tens cadeiras, leme e vela cativa, acredita que ele tentou arrombar a porta do meu barco, do seu barco, nosso barco, tão meu quanto seu, tão seu quanto nosso, disse que dormiria na sua cama que tem um lugar meu. Mas, é isso é culpa sua, espero que você saiba, por que você na quarta ilha quis ficar no farol e pegou carona no barco do vizinho que você sabia muito bem estava nos seguindo, você viu que eles eram mais ricos e não quis encostar a cabeça no meu ombro e ouvir histórias de princesas drogadas que eu adorava contar. Aceita a carona e vem embora no meu barco, eu comprei novo, fiz rota nova, rota surpresa.
- Não gosto de nada de inesperado e gosto de saber pra onde estou indo.
- Mas..
- Não gosto, pequeno, não gosto, me conheces.
- O amor é desconhecer e conhecer todo dia.
- O amor..
- Amor é uma rota de embarcação surpresa.
- Eu encaro novamente, não paro na próxima ilha.
- Juradinho na palavra?
- Na palavra do viajante, escoteiro saiu de moda.
- Te amo.
- Te amo a todo pôr e nascer do sol.
- Uma infinidade de sol.