domingo, 14 de julho de 2013

Um dúvida permanente...

Talvez os seres da noite, da madrugada, da insonia, da escuridão, me excitem muito mais...

Heróis também morrem

Matei meus heróis pouco a pouco. Alguns morreram de overdose, outros de tiros, outros de acidente de carro, alguns caíram do abismo. Mas, teve um grupo que foi interessante, senão o mais, fiz com que enlouquecessem e se auto mutilassem, arrancaram suas dores com pedaços dos próprios corpos, um em especial escreveu seu último livro com o sangue do próprio corpo, uma riqueza, uma dádiva divina, uma leitura interessante e excitante. E pouco a pouco arrancaram-se dedos, começaram pelas unhas, então evoluíram pros dedos, mãos, pedaços dos braços e assim sucessivamente. Até chegarem aos olhos, as janelas das almas. E por fim  se devoraram em rostos e almas espalhadas a calminho de alguma salvação, se é que existe. Viveram entre Oito e o Oitenta. E continuo na minha vida de assassino de aluguel de falsos heróis, já que o meu caiu do muro quando namorava.

E boas amizades...

Grandes, baixos, magros, gordos, altos, leves, com boas roupas, boas amizades, boas conversas, maquiagens claras, cabelos bem arrumados, boas moças, bons partidos, boas praças, bons rapazes, maravilhosas famílias, todos dentro da lei, grandes contas bancárias, estudiosos, empresários, salvadores da pátria, não-consumistas, sem defeitos, normais, católicos, boas índoles.

Nunca me interessei por esses ou essas, como preferir, gosto mais da sarjeta, do bueiro, do resto da sociedade, da exclusão da sociedade, dos destorcidos dos conceitos corretos da sociedade normal do mundo, gosto dos errados, dos estranhos, dos fumantes, dos bêbados, dos drogados, dos além terra, dos foras do mundo. Daqueles que vocês não gostam, esses me cativam. Aqueles que vocês renegam, esses me excitam.

Acho bacana os certinhos, mas os errados são bem melhores.

Mas vale ir pra cama com qualquer um deles.

Amélia II

E eis que quando ela abre a porta do antigo Casarão da Rua Vinte, onde grandes meretrizes fizeram fama na noite da Capital, casarão esse de número 13, um número de incríveis e tenebrosos mistérios diriam os Incas, e percebe que pela primeira vez não é um dia claro que encontra, percebe que está escuro, na noite voraz e feroz, sedutora e maquiavélica, começa a desconstruir a imagem de boa Amélia que cultivou a vida inteira, andarás por vezes pensando em outras coisas, outros desejos e começa a coloca-lós em prática, em pleno vigor. Trocou a maquilagem clara, nude, por cores fortes, pesadas, negras, avermelhadas, alaranjadas e chamativas. Picotou o cabelo, pintou, tatuou, mutilou o próprio corpo, rasgou as roupas, comprou saltos maiores, decidiu ver a vida do alto. O olhar mudou, pesou, cresceu. Amélia morreu. Nasceu uma mulher forte, feliz, resistente, voraz, com ânsia de engolir o mundo. Com colares pesados e brilhantes, com anéis de força total, de sorriso sedutor, de pele fina e com a voz de uma loba a dar o bote. É essa a Amélia que construímos? Ela fez o favor de desconstruir o que não era dela, o que não era criação e manipulação do ser dela. E ser a sua verdade própria. 

Moça bonita, da pele calma, um dia acorda com novos desejos, querendo novos nuances, novos saltos.  
Por que não dava mais pra chorar, pra cair, pra fraquejar, pra manter-se na rotina. Não mendigaria amor nunca mais, não seria mais a doadora e sim a receptora, a sangue-suga. Amélia mudou, piorou, melhorou, num círculo vicioso. E agora vivia entre fumaças e copos cheios de bebidas etílicas, entre saltos e risadas, entre luzes coloridas e beijos, amassos e flashs, leis e amores, fracassos e sorrisos. Amélia é outra ou a outra é Amélia. Ela cresceu e se fez aparecer, se tornou, a alma a essa minuto já se perdeu em alguma esquina. 


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Literariamente sensual

- Florbela Espanca, saca? 
- Prefiro Lorca.
- Federico Garcia? 
- Prefiro você.
- Eu? 
- É.
- Como? 
- De preferência Caio Fernando Abreu.
- Onde?
- Debaixo do meu cobertor, agarrado ao meu abraço até a eternidade ruir. 

Não some nunca mais.

- Esse bilhete cor de rosa chá foi você quem deixou?
- Não, eu vim lhe convidar.
- Pra quê e por que?
- Pra continuar, embarco nessa semana.
- Não sei se quero continuar.
- Vou lhe explicar o por que do convite em cima da hora, ainda que é hora.
- Só não resmungue como antes, pois eu fecho a porta e tranco janelas.
- É que o passado está rondando o barco e não posso deixa--lo entrar, ou melhor, invadir, ele quer tomar o seu lugar, mas já elucidei que tens cadeiras, leme e vela cativa, acredita que ele tentou arrombar a porta do meu barco, do seu barco, nosso barco, tão meu quanto seu, tão seu quanto nosso, disse que dormiria na sua cama que tem um lugar meu. Mas, é isso é culpa sua, espero que você saiba, por que você na quarta ilha quis ficar no farol e pegou carona no barco do vizinho que você sabia muito bem estava nos seguindo, você viu que eles eram mais ricos e não quis encostar a cabeça no meu ombro e ouvir histórias de princesas drogadas que eu adorava contar. Aceita a carona e vem embora no meu barco, eu comprei novo, fiz rota nova, rota surpresa.
- Não gosto de nada de inesperado e gosto de saber pra onde estou indo.
- Mas..
- Não gosto, pequeno, não gosto, me conheces.
- O amor é desconhecer e conhecer todo dia.
- O amor..
- Amor é uma rota de embarcação surpresa.
- Eu encaro novamente, não paro na próxima ilha.
- Juradinho na palavra?
- Na palavra do viajante, escoteiro saiu de moda.
- Te amo.
- Te amo a todo pôr e nascer do sol.
- Uma infinidade de sol.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Quê de saudades.

Lágrima 
rolou, 

pranto 
desceu. 

terça-feira, 9 de abril de 2013

Nota hospitalar.

Intacto, indefeso, tão frágil como um neném recém nascido brincando, ou, tentando incansavelmente brincar. Odeio estar assim, quero ser ágil, essas indefesas veem para nós mostrar que precisamos, mesmo achando que o não sobressai, que precisamos de outras pessoas, precisamos de cuidados alheios ao mundo existente dentro do nosso próprio mundo. Precisamente parece que é um pouco de pena que leva as pessoas a cuidarem de tal ser indefeso e não quero ser médio plano de cuidado. Quero ser livre novamente e querer tal vertigem.

sábado, 6 de abril de 2013

Copo de cerveja que expurga.

Parecia não me encaixar em um ambiente cercados de ledes, purpurina e felicidade, o passo mostrará a sua face novamente e jurando não se deixar levar por tanto exastidão, um pouco de saudade e colocará em dúvidas se era mesmo o que eu achava que era. Seria mesmo possivel ainda se deixar levar por antigas levianidades e ao mesmo tempo ter certeza que está na maior plena bondade da vida e ao não se deixar abater pelo os motivos e palavras ditas ao vento e ouvir um ''quem riu, riu, quem não riu, chora'', chorei, por motivos inconcretos, que ainda sim não eram mentiras e somente um tanto de inverdades, motivos que somente eu, um reliz reprodutor da classe - baixa, imunda e sangue-suga - humana, por menor que sejam as razões o mundo ainda me aflige, ainda me machuca e tento não acreditar nos seres criados ao alheio e somente nos que debaixo das minhas asas permanecem, creio que eu não mudei com tanta força e voracidade o tanto quanto eu pensava ou em uma tentativa fracassada acreditava e compreendia, mesmo sem compreender, somente eu sentirá aquela pontada de raiva e saudades dos flashes de antigamente, sem as companhias, presumo,  eu apenas, eu acreditara que o passado é parte esquecida da sua meta de trilhar a vida em um segundo, um raio de luz flosforecente cor de verde mar que cruza o alto salão, com tantas pessoas vazias e esvaziando-se, pouco a pouco. Eu acreditei e sei que o passado é pra deixar longe de tudo e todos, é coisa pessoal demais. E tudo que é pessoal eu confiei em guardar no nosso coração - nem meu, nem sei - nosso. A próxima viagem era a fuligem para sumir da face medonha daquela felicidade careta e sem vontade de ser feliz, uma felicidade barata de sair caro. Um pequeno grão de possessividade se jogava nos meus braços e eu não aguentará segurar, não existente em nenhuma outra parte de mim, um outro sentimento senão o desejo absoluto de guardar mágoas e rancores e infrutivos da vida pagã leviana que restará ainda no meu ser, o cheiro daquele ser humano,  vezes fétida, outrora como o perfume das rosas brilhantes, nada mais me chamou a atenção, acenei com um beijo de mão na culatra, pra acabar com a vida alheia que restrigia um pouco. Encontrei felicidade e amor e companheirismoque somente dentro do ser mais puro se acha. Encontrei o pequeno grande homem do meu muro alaranjado. Voilá

terça-feira, 2 de abril de 2013

Segurança.

No começo ainda precisava das pernas do criador para caminhar, o caminho foi aparecendo quando me deparei era eu que já carregava o criador nas minhas frágeis pernas e não queremos voltar ao passado, ganhamos liberdade de ambos e somos celados ao prazeres um do alheio.

domingo, 31 de março de 2013

Ás três da manhã..


Já não me possuo totalmente, o cheiro que exala das minhas entranhas fazem parte do cheiro que você gosta de sentir, já não sou total dono do meu ser, como em um rompante passei a lhe pertence de tal forma que nem mesmo sei explicar-te, um tom de ousadia me convence que você me tem nas suas mãos e em todo os centímetro do seu frágil corpo, consumo a energia por ti cedida, possuo a respirar que sai do seu interior, passo a ser uma extensão do que é ou vai ser você, penso em qual pedaço do seu verdadeiro ser me cativa e corrompe mais, passo a ser você em cada grão e você parece ser eu em cada polímetro, necessito do seu puro tesão e do meu puro desejo para simplesmente pensar em ser eu.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Sua chegada.

Se danem o evangelho e todos os benditos e divinos orixás, se ainda sim negarem que a felicidade estar ao lado teu. Chegou de mansinho, conquistando espaço, serviria pra fazer música de pagode mela-cueca, eu triste, cabisbaixo, sem expectativa de um novo querer, de um novo bem querer e me aparece o bendito homem do portão alaranjado, faz valer a pena ter conquistado o amor da cachorra, o jazz, o samba do Francisco de Hollanda, ter comprado cd's novos, consertado a vitrola, trocado a água do pássaro, a regado os girassóis, voltou a felicidade, você surgiu trazendo cor, cores e nuances na minha terra sombria.

Marcas forçadas.

Pisei com cautela em alguns corações, empurrei a porta em outros, pulei a janelas em alguns mais, nunca parei. Furtei de alguns o gosto por Jazz, por cachorros e gatos, por cores, por artes, por músicas, por sorrisos, por sentimentos, por infinitas bondades e aprendi em outros palavras, maldades, rituais, saberes, cuidados, um tanto de sinceridade e um quê de auto proteção. Esmaguei a maioria deles e não me arrependo, eles se mantiveram fortes, também furtaram coisas, palavras, desejos, sonhos e sentimentos e depositaram somente dores e desconfianças. Falaram, julgaram, contemplaram que eu uma certa manhã ganharia uma pessoa que eu saberia como utilizar todas os furtos, conheceria e ensinaria rituais do mais alto escalão misticos, acreditaria em cada palavra que saísse de tal boca. Da sua boca. E acredito e ensino e quero.


Frissons.

Seus lábios bem desenhados, seus olhos morenos ainda me fazem sentir calafrios, rebuliços. O seu signo nunca está em compatibilidade com o meu, mas se ainda sim negaram que você me espera e eu te espero ou vice e versa eu digo pros quatro, ou sete, cantos do mundo: ''dane-se os astros, os búzios, os signos, ciganas, tarôs, dane-se o evangelho e os orixás, dane-se o Karma, dane-se.'' Serás o meu bem querer maior, serás a minha paz. De qualquer forma, jeito, gesto ou modo você será meu ponto de força exterior, minha aniquilação do horripilante mundo, pisarei nas nuvens quando meus dedos entrelaçados aos seus estiverem, serei eu e você, você e eu, eu ou você? Seremos o nós.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Mon bien vouloir.

Os seus olhos morenos me fazem acreditar que a vida ainda vale alguma coisa. Alguma coisa que vem do espaço ou que vem de dentro, algo mágico. Pode ser cármico, eu acredito nessas coisas. Prevejo que nossos signos possam se encontrar em uma conjuntura da Lua com Júpiter, acredito também que Yemanjá faça as ondas do mar lhe trazer ao meu abraço, meu afago. Vou lhe guardar, lhe colocar por baixo das minhas asas e lhe cobrir com meu véu do amor e Vishnu com todos os seus braços me dará a sua mão na minha. Farei as mais bonitas poesias para o seu ouvido saborear, cantarei as melhores canções para seu coração acelerar, farei os melhores cafunés, lhe arrepiarei cada parte do seu lindo corpo, lhe renderei ao meu amor.