domingo, 26 de agosto de 2012

Nota de despedida.


"Eu sonhei, eu me torturei, eu tentei. Ultrapassei o orgulho que carrego em meu peito, como escudo, proteção. Eu tenho esse direito, eu tentei todas as vezes. Todas as recaídas eu estendi a mão pra ajudar, tentei segurar como um malabarista, eu sinto nenhuma culpa. Nenhuma dúvida de que a minha parte eu fiz. Só não posso ser a mãe de ninguém, eu não consigo levar no mais ou menos, sou oito ou oitenta. Sei que uma hora tudo no mundo amadurece, tudo cria a forma e tônus. De mim nada pode cobrar, eu tenho a consciência limpa de nunca ter querido o teu mal. Siga bem, vai por bem. Não insista, holofotes queimam a retina."

domingo, 19 de agosto de 2012

E eu não quero viver esta vida.

Nancy Spungen
Não lhe fotografam a alma. A alma é a sua pureza mais escondida. Sendo você uma menina da mamãe, sendo você uma menina cruel que a sociedade - ou a modernidade, tanto faz - lhe imprime. Você é dócil e felina por dentro. Sem medo de errar. A menina dos olhos do mundo tem seus olhos pintados de negro. E a boca suja de vermelho. Sangue ou paixão. Tudo sempre é nada para você. Poetisa de sua vida. Embriagada pelo canto de praça mais podre do canto da rua. Princesa de lis. Não tenhas medo da sabedoria. Não tenhas. Realeza de uma vida, de uma legião.

Eu tentei linhas e linhas para tentar descrever a pureza do meu olhar em encontro a ti e como sempre. Fracassos. É um ciclo vicioso, sem parada. O infinito e além. A imensidade do seu olhar. E muitas vezes especulei a sua vida, sem ao menos saber o que você era. Você é você. Sem denominações. Enganando-se pela vida. Enganando-se por uma juventude atrasada e vil. Garrafas, cigarros e cocaína são os enfeites de sua casa. Da sua mesa não se vê comida, se vê miséria. Miséria de alma. Miséria de vida. Superficialmente plástica. Superficialmente. Pureza putrefata. Inferno chamado saudade. Saudade? De você. Do que era o seu você. Dentro tudo o que você poderia ser pra mim, você decidiu ser saudade. Menina do cinema, da tela grande como a si mesmo imaginava. Se tornou a menina da página policial. A pior camada da sociedade. Infértil.