terça-feira, 12 de junho de 2012

Me avise quando for embora.

*Fotografia por: Matheus Apolonio. 
Está amanhecendo, a televisão está desligada, o barulho que reina na minha sala de estar é a voz safada do Cazuza dizendo:

"Quem tem um sonho, não dança."

O céu em tom melancólico e frio - com pinceladas coloridas - alaranjado. Ouvir Cazuza me anima e me destrói como um circulo vicioso. E assim o dia vai penetrando em minha vida, o tempo esvaindo-se pelos meus dedos como grãs de areia, pouco a pouco.

O esperar do nascer do amor.


Fico no portão alaranjado com eras invadindo o muro esperando que o tal homem da minha vida voltasse do trabalho, me desse um abraço acalentador e me levasse pras nuvens da nossa casa com quintal e violetas no beiral da janela - para relembrar a nossa velha infância quando nada podia abalar as estruturas da nossa vida de conto de fadas -, comentando sobre a chuva que caiu e destruiu o canteiro de rosas. Sonhos de meninos, meninos carentes. Espero que você adentre no meu universo particular e sombrio e se encaixe ou se faça encaixar, iluminando cada pedaço do meu caminho. Cada canto da sala do meu coração - rachado, quebrado, despedaçado e pisoteado por tantas outras almas fétidas - que já foi abalado por muito vezes. Sempre se recompondo. Aguardo o dia em que vou cruzar com você pela rua imunda e ter a certeza que é o homem da minha vida que cruzou pela primeira vez o meu caminho, um homem com tanta espiritualidade límpida para segurar a minha mão, para eu conseguir continuar caminhando - tropeço e cambaleando, confesso - para algum lugar que eu nem eu mesmo imagino onde seja. Seguindo. 
Eu só penso em você, homem que não conheço. Eu sei cada centimetro do teu corpo, cada escorregar do teus cabelos, cada linha que faz o contorno do seu rosto. Conheço cada pedaço do teu corpo como se fosse a minha própria vida. Sei todos os pensamentos que lhe passam na mente. Eu te conheço antes de te tocar. Sinto seu cheiro a quarterões de distância, sei de alergias e enfermas que já passou e curou-se. Conheço cada craquelar das tuas juntas cansadas. Sei onde o teu coração aperta e qual assunto lhe deixa em relaxação. Conheço cada brilhar e piscar dos teus olhos. Sei cada fotografia que lhe transporta para lugares remotos. Sei de coisas que nem você sabe. Ouço a sua música predileta para cantar ao teu ouvido, quando se deitar em meus braços. Se acalmar em meus carinhos. 
Só tenho dúvidas de algumas coisas, será que me amaria tanto quanto eu lhe amo? Não sei, não sei se eu me amaria tanto assim. 
Quero me afundar em teus braços e me sentir protegido, quero enfiar a minha insanidade por dentro da tua coragem, sei que é capaz de aguentar. Vou esquecer o mundo exterior e permanecer em nosso mundo quando em seu peito encostar a minha cabeça que trabalha a mil por hora. Sei que quando tocar o teu rosto vou embora em pensamentos bonitos e leves que outrora não penso, sei que vou pra onde ninguém jamais me levou, só você. Serei nossa particularidade. Sei que a sua voz adentrará o meu ouvido como a nona sinfonia de Beethoven, como o cantar dos passarinhos da Amazônia. Você é o meu amor, você é a minha inercia do mundo. 
Você fará valer a pena cada segundo que te esperei. Que eu lhe procurei no meio da multidão, você saberá recompensar tanto tempo de ausência. Cada encostar de lábios seu, será como se fosse a lua e tocasse harpa com os arcanjos. Nos seus abraços sentirei o amor que lhe devoto, ser retribuído.