segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Conversa de bar.

- Te liguei e me pareceu que você não gostaria de ouvir minha voz.
- Talvez não quisesse.
- Sofres? 
- Um tanto, quanto. 
- Passando mal? 
- Dos males de sempre. 
- Banalidades.
- Na verdade. 
- Na verdade...
- Amor. 

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Reportando para outros dogmas...

...

Correnteza mudou de direção
Esgoto sendo tratado
Águas fúnebres e nebulosas sendo revisitadas
Começar tudo novamente
Sendo reciclado, novo rumo para a podridão
Em meio ao escuro do buraco, encontrou-se uma lanterna, tem vida lá por baixo
Iluminar o ambiente,
Cores e nuances, novos cheiros
Abrir a porta,
Beber da nova fonte
...

domingo, 26 de agosto de 2012

Nota de despedida.


"Eu sonhei, eu me torturei, eu tentei. Ultrapassei o orgulho que carrego em meu peito, como escudo, proteção. Eu tenho esse direito, eu tentei todas as vezes. Todas as recaídas eu estendi a mão pra ajudar, tentei segurar como um malabarista, eu sinto nenhuma culpa. Nenhuma dúvida de que a minha parte eu fiz. Só não posso ser a mãe de ninguém, eu não consigo levar no mais ou menos, sou oito ou oitenta. Sei que uma hora tudo no mundo amadurece, tudo cria a forma e tônus. De mim nada pode cobrar, eu tenho a consciência limpa de nunca ter querido o teu mal. Siga bem, vai por bem. Não insista, holofotes queimam a retina."

domingo, 19 de agosto de 2012

E eu não quero viver esta vida.

Nancy Spungen
Não lhe fotografam a alma. A alma é a sua pureza mais escondida. Sendo você uma menina da mamãe, sendo você uma menina cruel que a sociedade - ou a modernidade, tanto faz - lhe imprime. Você é dócil e felina por dentro. Sem medo de errar. A menina dos olhos do mundo tem seus olhos pintados de negro. E a boca suja de vermelho. Sangue ou paixão. Tudo sempre é nada para você. Poetisa de sua vida. Embriagada pelo canto de praça mais podre do canto da rua. Princesa de lis. Não tenhas medo da sabedoria. Não tenhas. Realeza de uma vida, de uma legião.

Eu tentei linhas e linhas para tentar descrever a pureza do meu olhar em encontro a ti e como sempre. Fracassos. É um ciclo vicioso, sem parada. O infinito e além. A imensidade do seu olhar. E muitas vezes especulei a sua vida, sem ao menos saber o que você era. Você é você. Sem denominações. Enganando-se pela vida. Enganando-se por uma juventude atrasada e vil. Garrafas, cigarros e cocaína são os enfeites de sua casa. Da sua mesa não se vê comida, se vê miséria. Miséria de alma. Miséria de vida. Superficialmente plástica. Superficialmente. Pureza putrefata. Inferno chamado saudade. Saudade? De você. Do que era o seu você. Dentro tudo o que você poderia ser pra mim, você decidiu ser saudade. Menina do cinema, da tela grande como a si mesmo imaginava. Se tornou a menina da página policial. A pior camada da sociedade. Infértil. 

terça-feira, 12 de junho de 2012

Me avise quando for embora.

*Fotografia por: Matheus Apolonio. 
Está amanhecendo, a televisão está desligada, o barulho que reina na minha sala de estar é a voz safada do Cazuza dizendo:

"Quem tem um sonho, não dança."

O céu em tom melancólico e frio - com pinceladas coloridas - alaranjado. Ouvir Cazuza me anima e me destrói como um circulo vicioso. E assim o dia vai penetrando em minha vida, o tempo esvaindo-se pelos meus dedos como grãs de areia, pouco a pouco.

O esperar do nascer do amor.


Fico no portão alaranjado com eras invadindo o muro esperando que o tal homem da minha vida voltasse do trabalho, me desse um abraço acalentador e me levasse pras nuvens da nossa casa com quintal e violetas no beiral da janela - para relembrar a nossa velha infância quando nada podia abalar as estruturas da nossa vida de conto de fadas -, comentando sobre a chuva que caiu e destruiu o canteiro de rosas. Sonhos de meninos, meninos carentes. Espero que você adentre no meu universo particular e sombrio e se encaixe ou se faça encaixar, iluminando cada pedaço do meu caminho. Cada canto da sala do meu coração - rachado, quebrado, despedaçado e pisoteado por tantas outras almas fétidas - que já foi abalado por muito vezes. Sempre se recompondo. Aguardo o dia em que vou cruzar com você pela rua imunda e ter a certeza que é o homem da minha vida que cruzou pela primeira vez o meu caminho, um homem com tanta espiritualidade límpida para segurar a minha mão, para eu conseguir continuar caminhando - tropeço e cambaleando, confesso - para algum lugar que eu nem eu mesmo imagino onde seja. Seguindo. 
Eu só penso em você, homem que não conheço. Eu sei cada centimetro do teu corpo, cada escorregar do teus cabelos, cada linha que faz o contorno do seu rosto. Conheço cada pedaço do teu corpo como se fosse a minha própria vida. Sei todos os pensamentos que lhe passam na mente. Eu te conheço antes de te tocar. Sinto seu cheiro a quarterões de distância, sei de alergias e enfermas que já passou e curou-se. Conheço cada craquelar das tuas juntas cansadas. Sei onde o teu coração aperta e qual assunto lhe deixa em relaxação. Conheço cada brilhar e piscar dos teus olhos. Sei cada fotografia que lhe transporta para lugares remotos. Sei de coisas que nem você sabe. Ouço a sua música predileta para cantar ao teu ouvido, quando se deitar em meus braços. Se acalmar em meus carinhos. 
Só tenho dúvidas de algumas coisas, será que me amaria tanto quanto eu lhe amo? Não sei, não sei se eu me amaria tanto assim. 
Quero me afundar em teus braços e me sentir protegido, quero enfiar a minha insanidade por dentro da tua coragem, sei que é capaz de aguentar. Vou esquecer o mundo exterior e permanecer em nosso mundo quando em seu peito encostar a minha cabeça que trabalha a mil por hora. Sei que quando tocar o teu rosto vou embora em pensamentos bonitos e leves que outrora não penso, sei que vou pra onde ninguém jamais me levou, só você. Serei nossa particularidade. Sei que a sua voz adentrará o meu ouvido como a nona sinfonia de Beethoven, como o cantar dos passarinhos da Amazônia. Você é o meu amor, você é a minha inercia do mundo. 
Você fará valer a pena cada segundo que te esperei. Que eu lhe procurei no meio da multidão, você saberá recompensar tanto tempo de ausência. Cada encostar de lábios seu, será como se fosse a lua e tocasse harpa com os arcanjos. Nos seus abraços sentirei o amor que lhe devoto, ser retribuído.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Exposição de amor e luxúria.

Fotografia por: Caroline Olivares
Quando você me chega - sem pompa e circunstâncias - e pega de forma veloz e feroz - meu corpo indefeso, quando você me canta: "Eu sempre fui só de você, e você sempre foi de mim" e me encanta, e enfeitiça. Esses momentos luxuosos em que joga toda a minha fragilidade sobre a cama - suja e mal paga - e se contra-põe sobre essa fragilidade, deitando-se em meu corpo, isso me acalma e me enlouquece em segundos misturados - como em liquidificador - e jorrados no leito de luxúria. E me arranca - em meio a arranhões, tapas e gemidos - a camisa branca e lambe todo o meu corpo esquio, lambe toda a minha pureza. E me chupa os mamilos me fazendo gemer e contorcer a minha loucura continua, me fazendo retorcer todo a minha fragilidade em meios a puxões, arranhões e gemidos frenéticos - em um tom maior, que os vizinhos reclamariam - de forma pulsante. Puxa a minha calça e me beija, e lambe toda perna que caminha durante as vidas que me cruzam diariamente, e toma de forma voraz toda a dor que carrega. Arranca a minha defesa e me destrói, me faz agonizar para não parar, rompe a minha ingenuidade e pureza, e penetra toda a luz do mundo em meu corpo, me fazendo pedir para não parar com essa paz que me traz. E me leva até o delírio profundo, fazendo rugir a madeira podre que nos sustenta. E quando acaba a nossa vontade de luxúria, o corpo acalma e a mente pensa em mil coisas. Adormecemos e acordo enrolado em seus braços fortes, me sinto protegido. E fico lhe admirando, como uma paisagem e adormeço novamente sabendo que esse se repetirá, pela manhã fria. 

Matheus A. 
08/12/2012