quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O santo relicário

Aqui são rastros de caminhadas, são lembranças que busquei na noite, na rua, nas estradas em que passei. São coisas que fazem sentindo a mim, só a mim. São moedas, cores, gritos, bréus, folhas, rascunhados. Coisas que me revelam. São vinhos e cigarros roubados, emprestados, são de tudo um pouco. São lembranças e momentos que guardo no meu relicário, onde levo tudo comigo, pra caminhar nas estradas que ainda passarei. Estradas essas que guardarei alguma lembrança, seja essa qual for. Guardarei risadas do meu avô, choros da minha mãe, tapas do meu pai, carinhos da minha avó. Guardarei as noites na janela com um cigarro, uma caneca de café e a lua na conversa. Guardarei momentos bons e ruins, que formarão a minha personalidade. Guardarei e guardo no meu relicário, pra sempre. Enquanto viver.