quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Alertem a todos que o homem que eu era... Voltou.

Acreditei ter disseminado minhas frustrações, ilusão de um pobre sonhador.. Isso não existe. Sempre falta algo. Hoje, após algumas eternidades e invernos, decidi reabrir o baú da minha cabeça e escrever um desabafo novamente.

Não sei onde foi parar a Clarice, a Hilda, o velho e mágico Caio Fernando, sumiram das minhas vistas, evaporaram das minhas mãos e foram esquecidos na minha mente. Sei que estão aqui, em algum canto, em algum lugar, perdido em alguma rua aqui dentro de mim. Me obrigo a reencontra-los.

As minhas esperanças foram postas a pó e meus sonhos reduzidos a vento. Desacreditei de mim. Meu choro já não lava mais, esqueci como é estar bem, como é ser bem. Me perdi em algum lugar e não consigo mais me encontrar. Onde errei? Não me lembro onde foi que minha vida se perdeu... O que eu queria da vida, se perdeu. O que foi feito do pouco de vida que acreditei? Abro hoje as interrogações para saber onde eu preciso responder.

Falo por acreditar.. Que outras manhãs plenas de sol e de luz, retornaram... 

domingo, 29 de junho de 2014

O sino bate e deu hora.

E a gente quer andar, quer viver, mas é necessidade comum do ser humano andar mais lentamente, mas calmamente. Aprender a ser mais manso, de loucuras eternas não vive o homem, também chega um tempo de estacionar esse automóvel ditado como coração, a mente se encaixar e começar a arrumar o trajeto pra chegar na sua casa de veraneio para assentar o peito e descansar os pés. É pedido do mundo um lugar pra tirarmos as botas e se sentir caseiro, seguro. É a velha história das violetas na janela, um quintal com flora e frutos. É chegada a hora do pedido e do ter alguém pra segurar a falta de chão que assola quando o mundo parece bem. Quando o mundo parece estar em total sincronia, o estranho é que quando damos por nossa conta que chegou esse momento já estamos a alguns belos anos luz nesse estado.

domingo, 14 de julho de 2013

Um dúvida permanente...

Talvez os seres da noite, da madrugada, da insonia, da escuridão, me excitem muito mais...

Heróis também morrem

Matei meus heróis pouco a pouco. Alguns morreram de overdose, outros de tiros, outros de acidente de carro, alguns caíram do abismo. Mas, teve um grupo que foi interessante, senão o mais, fiz com que enlouquecessem e se auto mutilassem, arrancaram suas dores com pedaços dos próprios corpos, um em especial escreveu seu último livro com o sangue do próprio corpo, uma riqueza, uma dádiva divina, uma leitura interessante e excitante. E pouco a pouco arrancaram-se dedos, começaram pelas unhas, então evoluíram pros dedos, mãos, pedaços dos braços e assim sucessivamente. Até chegarem aos olhos, as janelas das almas. E por fim  se devoraram em rostos e almas espalhadas a calminho de alguma salvação, se é que existe. Viveram entre Oito e o Oitenta. E continuo na minha vida de assassino de aluguel de falsos heróis, já que o meu caiu do muro quando namorava.

E boas amizades...

Grandes, baixos, magros, gordos, altos, leves, com boas roupas, boas amizades, boas conversas, maquiagens claras, cabelos bem arrumados, boas moças, bons partidos, boas praças, bons rapazes, maravilhosas famílias, todos dentro da lei, grandes contas bancárias, estudiosos, empresários, salvadores da pátria, não-consumistas, sem defeitos, normais, católicos, boas índoles.

Nunca me interessei por esses ou essas, como preferir, gosto mais da sarjeta, do bueiro, do resto da sociedade, da exclusão da sociedade, dos destorcidos dos conceitos corretos da sociedade normal do mundo, gosto dos errados, dos estranhos, dos fumantes, dos bêbados, dos drogados, dos além terra, dos foras do mundo. Daqueles que vocês não gostam, esses me cativam. Aqueles que vocês renegam, esses me excitam.

Acho bacana os certinhos, mas os errados são bem melhores.

Mas vale ir pra cama com qualquer um deles.

Amélia II

E eis que quando ela abre a porta do antigo Casarão da Rua Vinte, onde grandes meretrizes fizeram fama na noite da Capital, casarão esse de número 13, um número de incríveis e tenebrosos mistérios diriam os Incas, e percebe que pela primeira vez não é um dia claro que encontra, percebe que está escuro, na noite voraz e feroz, sedutora e maquiavélica, começa a desconstruir a imagem de boa Amélia que cultivou a vida inteira, andarás por vezes pensando em outras coisas, outros desejos e começa a coloca-lós em prática, em pleno vigor. Trocou a maquilagem clara, nude, por cores fortes, pesadas, negras, avermelhadas, alaranjadas e chamativas. Picotou o cabelo, pintou, tatuou, mutilou o próprio corpo, rasgou as roupas, comprou saltos maiores, decidiu ver a vida do alto. O olhar mudou, pesou, cresceu. Amélia morreu. Nasceu uma mulher forte, feliz, resistente, voraz, com ânsia de engolir o mundo. Com colares pesados e brilhantes, com anéis de força total, de sorriso sedutor, de pele fina e com a voz de uma loba a dar o bote. É essa a Amélia que construímos? Ela fez o favor de desconstruir o que não era dela, o que não era criação e manipulação do ser dela. E ser a sua verdade própria. 

Moça bonita, da pele calma, um dia acorda com novos desejos, querendo novos nuances, novos saltos.  
Por que não dava mais pra chorar, pra cair, pra fraquejar, pra manter-se na rotina. Não mendigaria amor nunca mais, não seria mais a doadora e sim a receptora, a sangue-suga. Amélia mudou, piorou, melhorou, num círculo vicioso. E agora vivia entre fumaças e copos cheios de bebidas etílicas, entre saltos e risadas, entre luzes coloridas e beijos, amassos e flashs, leis e amores, fracassos e sorrisos. Amélia é outra ou a outra é Amélia. Ela cresceu e se fez aparecer, se tornou, a alma a essa minuto já se perdeu em alguma esquina. 


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Literariamente sensual

- Florbela Espanca, saca? 
- Prefiro Lorca.
- Federico Garcia? 
- Prefiro você.
- Eu? 
- É.
- Como? 
- De preferência Caio Fernando Abreu.
- Onde?
- Debaixo do meu cobertor, agarrado ao meu abraço até a eternidade ruir.